
Conceitos · 2019
Quando o condutor é opcional.
Dez anos depois do ESF 2009, a Mercedes construiu outro veículo experimental de segurança — desta vez para motorizações elétricas, bancos flexíveis e robôs que colocam triângulos de sinalização.
Na conferência Enhanced Safety of Vehicles de 2019, a Mercedes apresentou um GLE com as cores da investigação e um teto cheio de módulos lidar. O presidente Ola Källenius foi claro: algumas das ideias estavam perto da produção de série; outras olhavam muito para diante.
A condução autónoma muda o acidente. Os bancos reclinam-se. Os pedais recolhem. Os outros utentes da estrada precisam de ler um carro em que nenhum condutor lhes cruza o olhar. O ESF 2019 era o caderno de laboratório desse mundo.
Capítulo I
O PRE-SAFE cresce outra vez.
Desde 2002, o PRE-SAFE tem ensinado os Mercedes a agir antes do impacto. O ESF 2019 acrescentou capítulos: o Curve tensionava os cintos quando os dados do mapa diziam que se tinha lido mal uma curva; o Impulse Rear podia acelerar o carro uma fração para amortecer uma colisão traseira no fim de uma fila; a iluminação lateral usava tinta eletroluminescente para fazer os flancos piscar em cruzamentos de risco.
Com a Britax, o PRE-SAFE Child ligou em rede uma cadeira que verificava a própria instalação, vigiava a criança e pré-tensionava antes de uma colisão — ISOFIX com sistema nervoso.
PRE-SAFE Child
Cadeira Britax em rede que pré-tensiona e vigia
PRE-SAFE Impulse Rear
Um empurrão para a frente suaviza a colisão traseira na fila
PRE-SAFE Curve
Puxão no cinto 2,5 s antes da curva subestimada
Iluminação lateral
Tinta eletroluminescente que pisca para dar visibilidade
Airbag traseiro
Estrutura tubular para os ocupantes de trás — mais tarde na Classe S
Robô de sinalização
Um pequeno robô coloca um triângulo a partir da traseira

Capítulo II
A empatia como equipamento de segurança.
Os carros totalmente automatizados têm de ser legíveis. O ESF 2019 explorou a comunicação cooperativa — sinais de luz e de ecrã para que peões e ciclistas pudessem intuir a intenção quando nenhum condutor faz gestos. O Active Brake Assist 2019 vigiava os utentes vulneráveis mesmo no ângulo morto e no trânsito transversal; uma proteção de peões a 360° cobria as manobras de estacionamento.
Em modo automatizado, o volante e os pedais podiam recolher, libertando as trajetórias de lesão e abrindo espaço para posturas reclinadas. Um airbag traseiro tubular — mais tarde a caminho da Classe S — protegia os passageiros que continuavam de cinto.
E se o pior acontecesse mesmo assim, um pequeno robô podia sair da traseira e colocar um triângulo de sinalização enquanto outro se desdobrava do teto — sinalizar o perigo sem pedir a ninguém que caminhe no trânsito.

Epílogo
A lista de compras da década seguinte.
Como o ESF 2009 antes dele, o carro de 2019 era um armazém de peças para o futuro. Airbags traseiros, uma lógica PRE-SAFE mais fina e uma comunicação mais clara com o mundo exterior começaram a migrar para os carros de série quase de imediato. O robô com o triângulo talvez demore mais. A pergunta que ele faz, não: quando o condutor é opcional, quem mantém a estrada segura?